Na calada da noite

A república Nau Sem Rumo estava em polvorosa, o dia seguinte era dia de jogo no Campo do Bêra Bosta na sua fase gloriosa. Os preparativos estavam a toda: campo demarcado com cal, matagal roçado, a bebida gelando, as bandeiras estendidas. Pena ser um campeonato secundário, afinal nem todas as quatro repúblicas que são "donas" do campo foram convidadas, o Ninho, por exemplo, não foi, isso causou o desconforto de uns.

Mas o verdadeiro fato inusitado ainda estava para acontecer.

Na calada da noite uma figura sorrateira sai dos seus aposentos, desce as escadas do terceiro, segundo e primeiro andar do Ninho em direção a boate, procura alguma coisa no armário de ferramentas e em meio a escuridão desce em direção ao Campo do Bêra Bosta, desaparecendo na neblina.

Uma hora depois, ofegante, volta aos seus aposentos a fim de terminar sua noite de sono.


 

O dia raiou, é a grande estréia do campeonato secundário! Ainda de manhã bem cedo os convidados e times começavam a chegar. Os organizadores (moradores da Nau Sem Rumo), por sua vez, estavam apavorados pois uma coisa importante estava faltando: as traves do gol.

A explicação vem da figura sórdida da noite anterior, Sofrê.
Depois afogar as mágoas no Barroco e aborrecido pelo pouco caso de não ter sido chamado para jogar, acabou por se vingar serrando as traves do gol do Bêra, tamanha a "reiva" que não se ateve ao fato que se fosse jogar uma pelada qualquer dia destes, também ficaria sem as traves.

Quanto ao campeonato, não se sabe ao certo como transcorreu pois fizemos questão de beber uma cerveja no nosso Ninho, rindo do fato. Conta a lenda que os bixos das repúblicas participantes se revezavam segurando a trave para que o campeonato transcorresse, foi o mais embaraçoso caso de trave humana que se viu por aquelas bandas.

Passados alguns dias, a entidade república Ninho do Amor, em sua sabedoria, acabou por solicitar que Sofrê se desculpasse com a república Nau Sem Rumo e se encarregasse de consertar as traves. Ele, meio a contragosto, deu jeito na situação.

Hoje as repúblicas Ninho e Nau, vizinhas a um Aquárius de distância continuam amigas e continuaram assim por muitos e muitos anos. De vez em quando um "toma lá, da cá" acontece. Mas isso são outras histórias.

 

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